Caro amigo!
Conversei com uma família de amigos iraniana que migrou para o Brasil durante a guerra entre Irã e Iraque em 1989. Mudaram para o Brasil durante a guerra conhecida como Irã / Iraque. Onde a mãe grávida, uma tia e um irmão de 12 anos, vieram a falecer, restando o pai, duas filhas, de 6 e 9 anos e um filho de 14.
Curioso por saber a opinião deles sobre a polêmica em relação ao desenvolvimento de armas nucleares pelo governo iraniano, conversei com eles sobre o assunto. Achei importante postar aqui, porque uma coisa é ver as notícias manipuladas pela mídia e outra é ouvir a versão do problema de quem sente ou sentiu na pele toda intensidade da situação.
Fiquei comovido com os relatos e tentei resumir um pouco já que recebi uma verdadeira palestra sobre a política interna do Irã e em relação aos países vizinhos do Oriente médio. Antes de tudo eles disseram que tanto eles, como a maior parte do “povão” são contra o desenvolvimento de armamento nuclear, mas que dadas as circunstâncias, não vêem outro modo de manter a população segura em meio as ameaças contínuas com as quais convivem tanto da parte dos países desenvolvidos, quanto dos pequenos que são, segundo eles, manipulados pelas grandes potências como uma guerra fria disfarçada. Vamos aos relatos.
Para quem convive diante do panorama local sabe que há um clamor por grande parte da população iraniana para que haja mecanismos de defesa, não para serem usados, mas para serem usados se assim o for necessário.
Apesar de não ser a favor das guerras, muita gente é a favor de que um povo, qualquer que seja, até mesmo o Brasil, possua condições de defender-se a altura das ameaças que está exposto. Acreditam que Mahmoud Ahmadinejad não desenvolva esta tecnologia caso as mesmas restrições sejam feitas aos países que almejam o domínio sobre a região e no caso dos países que já possuam concordar na extinção das mesmas.
Há um jogo de interesse comercial que não envolve somente Estados Unidos e Arábia Saudita e isso a mídia não comenta por causa do sionismo em favor de palestinos e judeus que defende os interesses de Israel e as gigantes capitalistas da extração e refinação do petróleo. Há tempos os Senhores do Petróleo querem controlar não só a exploração como também o transporte, o processamento, a venda e o destino do chamado Ouro Negro, considerado maldito por quem perdeu parentes, partes do corpo ou sofreu de forma desumana pela disputa por ele.
O Irã e o Iraque ao lado do Líbano e do Afeganistão são países de "passagem". A estratégia do “Consórcio Cent Gás” é muito anterior ao evento dos 11 de setembro. Animado pela petrolífera americana Unocal, para mobilizar uns 2,5 bilhões de dólares no que designou por "Rota da Seda". Fala-se aqui de um atalho logístico que permite fazer transitar petróleo e gás da Ásia Central para o Mar Arábico através de portos no Paquistão (neste caso, o Porto de Gwadar) ou na Índia. No caso do Líbano, seria uma segunda opção para a evacuação da exploração do petróleo Iraquiano e de outros países dominados pelo império americano, já que todo seu litoral oeste é banhado pelo Mar mediterrâneo, tendo este saída para o Atlântico no sul da Espanha. Entre outros países que possibilitam o mesmo acesso, o Líbano foi o escolhido por ser um país pequeno e aparentemente mais fraco.
Na época os invasores não contavam com a resistência do Hezbolah. A escolha foi simples, primeiro eliminar os mais indefesos, porém no início não contou-se com o apoio e resistência do Irã. Para os iranianos não se envolver politicamente e militarmente em assuntos da soberania vizinha é ser omisso com sua própria soberania, pois o país ficaria muito mais vulnerável na ocorrência de um conflito se houvesse uma base inimiga no país vizinho. É uma situação que descrevo em relação ao Brasil no texto “Prelúdio de uma invasão” há um tempo atrá aqui mesmo neste blog.
Em 1998, perante o Comitê de Relações Internacionais norte-americano, John Maresca, da UNOCAL, apresentou com clareza a necessidade dessa "passagem" estratégica, referindo-se que existe um "pipeline" (opção de desvio), um terreno relativamente favorável que poderia passar por Herat e Kandahar no Afeganistão. Este “pipeline” seria uma das alternativas americanas, apoiada pelo Delta Oil, da Arábia Saudita, a Hyundai, da Coréia do Sul, por firmas japonesas, por um conglomerado paquistanês e pelo Governo do Turcomenistão ao cerco logístico montado pelos russos e pelos iranianos. Mas além de ser uma opção cara é "pouco realista a curto prazo". Segundo a EIA, o órgão de informação do Departamento de Energia norte-americano, os americanos aproveitaram a operação do Afeganistão para implantar uma base militar estratégica batizada de "K2" no Uzbequistão, que tem uma posição central na região fronteiriça do Mar Aral, desenvolveu acordos militares com o Quirguizia, que faz fronteira com a China. O Uzbequistão reclama mesmo "uma aliança estratégica com os EUA", como assim afirmou o seu líder Islam Karimov.”
Posteriormente a invasão do Afeganistão, o bombardeio da mídia, que “informa”, “mostra”, “cria” a verdade que convém, a quem domina os meios “informativos”. Logo após a população submissa da América aceitar e começar a pensar de acordo com a ilusão coletiva montada pela mídia, a porteira estava aberta pra os interessados fazerem o que quiserem.
A mídia bombardeou nossas casas com informações comoventes como os quase 3.000 mortos no World Trade Center. Falou que ditadores malvados tentam manter o seu povo sem democracia. Pregam que todos os países que têm coragem de se opor aos seus interesses atentam contra a liberdade e que para “libertar” precisa-se realizar uma nova cruzada contra o povo mau, terroristas sem alma que ameaçam o “mundo”. Alegam que armas de destruição em massa nas mãos de fanáticos seria um perigo constante par todos os países ao redor do mundo pois são dirigentes de países onde as populações são incapazes de distinguir o certo do errado.
Do outro lado temos os estadunidenses com um número inalcançável de mortes em suas costas, seja por guerras declaradas (convencionais) ou através de assassinatos disfarçados de acidentes diversos. Nativos, espanhóis, mexicanos, cubanos, vietnamitas, russos, árabes, persas, chineses, japoneses vítimas em todos os países da América latina e continente africano. A tão comentada Liberdade estadunidense já não se mostra tão livre, com prisões secretas sem direito a defesa e julgamento, torturas, mortes, abusos, humilhação e desrespeito ao mais básico dos direitos humanos.
A Democracia da mesma forma está um tanto quanto deformada, com caixas dois, que não incidem só no Brasil, nos EUA também tem, fraudes sob espetáculos propagandistas que manipulam a decisão popular sobre o destino da nação.
A hipocrisia chega ao ponto da nação com o maior poderio bélico, que gasta fortunas que realmente poderiam “salvar” o mundo, salvar da miséria, da fome, da doença, do frio, da vergonha, da humilhação, da falta de moradia e da morte! Essa nação sente-se a vontade para acusar, julgar e condenar outros países “independentes” e fazer o que o seu congresso decide como certo, sem se importar com as opiniões de sua população, tão submissa a manipulação de jornais e televisão quanto qualquer outra no globo ou com a opinião dos outros países ou com a opinião da famosa ONU.
(Por Eduardo Oliveira Gerhardt de Amorim)
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